Discurso de Inauguração

A sigla Lauto produz uma palavra latina que se traduz por magnífico, suntuoso, engrandecedor.

É realmente magnífico unir esforços, fazer uma liga de diversos saberes e fazê-los convergir em favor da vida. Cabe a mim, em nome da diretoria da Santa Casa, dizer aos senhores e às senhoras, peritos em várias ciências, que esta Instituição bicentenária, colocará toda estrutura necessária para o pensar e o agir dos senhores, na arte de reinventar a vida.

Temos testemunhado o ardoroso labor de tanta gente que tem realizado verdadeiros milagres, como o que assistimos na última semana, quando órgãos de uma santa e generosa doadora foram trazidos por verdadeiros anjos, que enfrentando as intempéries do tempo, não se intimidaram em alavancar esperanças e dizer com gestos heróicos, um Sim em favor da vida.

Como religioso, quero emprestar a minha voz aos beneficiários de hoje e de amanhã, para dizer a todos os senhores e a cada um em particular: muito obrigado pelo altruísmo, pela abnegação, por serem ponte de amor e doação entre aquele que oferece e os muitos que recebem.
Como tomei a sigla Lauto para lembrar uma palavra da Língua Latina, permitam-me, valer-me da sigla MG para tirar, também, outra expressão latina: Maximum Gaudium. Alegria plena!

Alegria plena pelo lançamento da Lauto, alegria plena e duradoura pela missão que os seus Membros se propõem a cumprir com excelência e fidelidade.

Deixo aqui, um poema, verdadeiro salmo, que traduz em versos a beleza da doação.

A culpa é tua.
Carlos Omar Vilella Gomes
Se não estás aqui não tenho culpa,
Mas se eu estou aqui, a culpa é tua!
Não soube dos teus trancos e teus sonhos,
Nem lembro dos teus passos pelas ruas.
Não respirei teus medos e silêncios,
Nem tive o teu rosto em minhas mãos…
Não sei a dimensão dos teus momentos
Mas trago, a me levar, teu coração!
O nó da minha garganta desatou-se
Logo depois que tua voz calou-se…
Eu não sei onde nem por que razão.
Se não estás aqui, não tenho culpa,
Mas se eu estou aqui, a culpa é tua!
Se hoje sigo meus trancos e meus sonhos,
Se ainda gasto passos pelas ruas.
Te foste, mas ficaste, simplesmente,
Na minha vida, entregando mais que o bem;
Navegando no olhar de um outro alguém,
Que há pouco só mirava escuridão…
Te indago com espanto e com respeito:
Bem mais que o sangue
pulsando no meu peito,
Qual o tamanho do teu coração?
Em algum canto, um pai, sem ar,
em uma cama…
Em outro, as sombras de
uma mãe em dissabor;
Os filhos pela volta, cabisbaixos,
Impotentes, mesmo tendo tanto amor.
Logo adiante, um piá contava as horas
Vendo seu sangue circular por um motor!
Daí a pouco, o terror de uma tragédia,
Uma vida que acabara sem querer;
A pior dor pesando a cruz de uma família,
Em seu calvário, carregado de sofrer…
Bendita luz de Deus, que nunca cega!
Pois a dor, em doação, se fez entrega
E dessa morte outros puderam renascer!
È o milagre da vida que veio através de ti,
Pelos frutos dessa entrega
que semeaste por aí…
No pai que passa, risonho,

trazendo o filho no colo,
Na mãe que enxerga suas crias
brincando frente aos seus olhos…
No piá que corre faceiro,
tenteando algum bem-te-vi!
O coração é um órgão
De carne e de pulsação…
Que se transforma em poesia
No ato da doação.
Pois quando se doa um órgão
Se tem a exata medida
Que o amor que plantamos
É bem maior que esta vida.
Se não estás aqui não tenho culpa,
Mas se eu estou aqui, a culpa é tua!
Também por outros,
com seus trancos e seus sonhos,
Também por outros,
com seus passos pelas ruas.
Bendita seja a família que
respeitou tua vontade…
Bendita história de alguém
que soube amar de verdade
E entregou esse amor em forma de doação!
Te indago com espanto e com respeito:
Bem mais que o sangue
pulsando no meu peito,
Qual o tamanho do teu coração?

Juiz de Fora, 28 de maio de 2014

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