Como ser um Doador de Órgãos?

A doação de órgãos é um ato de generosidade que pode salvar muitas vidas e, como acontece após a morte, aqueles que desejam se tornar um doador devem se preparar para tal. Até 2001, a intenção de doação poderia ser legitimada através da sua manifestação em documentos de identificação, como a Carteira de Identidade e a Carteira Nacional de Habilitação. Essa forma de registro, porém, deixou de ter validade com a criação da lei Nº 10.211, em 2001, que extinguiu a doação presumida no Brasil e determinou que a mesma só ocorreria com a autorização familiar, independente do desejo em vida do potencial doador. Por isso a importância de se conversar com a família sobre essa vontade!

Existem ainda outras maneiras de facilitar a decisão de seus familiares no momento da doação. É possível, por exemplo, usar redes sociais como o Facebook para se declarar um doador de órgãos (veja abaixo). Embora essa atitude não tenha qualquer validade jurídica, serve para dar suporte à decisão da família e fazer com que seu desejo de doação seja cumprido.

Como se declarar doador no Facebook?
Entre no seu perfil e, no topo da sua linha do tempo, clique em “Evento cotidiano”. Selecione então “Saúde e bem-estar” e depois em “Doador de Órgãos”. Preencha os campos e clique em “Salvar”.

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Doação de órgãos como obra de misericórdia

Texto publicado no dia 09 de fevereiro de 2017 no Jornal Estadão pelo Prof. Dr. José Medina Pestana, professor titular da UNIFESP/ESCOLA PAULISTA DE MEDICINA.

‘Um ato de amor e uma testemunha genuína de caridade que se estende além da morte’

“Líderes de religiosos estão em posições decisivas para expressar suporte teológico categórico e dissipar a resistência a incorporar conceitos recentes na interpretação das suas escrituras, quando envolvem questões advindas da atividade contemporânea da sociedade. O transplante de órgãos é uma dessas questões e representa um dos maiores avanços da medicina nas ultimas décadas: órgãos ou tecidos de uma pessoa distinta são incorporados e adquirem função normal em novo receptor.

Assim, milhares de pessoas recuperaram a visão com um transplante de córnea, readquiriram qualidade de vida sem diálise após transplante de um único rim, ou tiveram sua vida salva por um transplante de coração, fígado ou pulmão – órgãos que, doentes, não lhes dariam vida por período superior a um ou dois anos. A grande maioria desses procedimentos é realizada com órgãos doados após a morte, fruto da intenção manifesta em vida ou após autorização formalizada pelos familiares.

Atos em benefício dos semelhantes estão na base e no credo das religiões. Embora a maioria dos conselhos ou líderes das crenças predominantes se posicione de maneira favorável aos transplantes e considere a doação post mortem um ato nobre, persistem conflitos quanto ao conceito de morte encefálica, bem como acerca da necessidade de integridade do corpo para as cerimônias fúnebres ou para alcançar benefícios espirituais.

Entre os mais de 2,3 bilhões de seguidores do cristianismo, tanto católicos romanos como ortodoxos e protestantes, predomina a decisão favorável à doação, o que contribui para que a grande maioria dos transplantes seja realizada em países onde predomina a fé cristã. Testemunhas de Jeová, que não aceitam a transfusão de sangue, não se opõem ao transplante de órgãos. Para a maioria dos pastores evangélicos, a doação de órgãos é um ato de amor e de generosidade. Para o judaísmo a doação de órgãos é um ato de justiça e misericórdia, embora existam seguidores contrários, por não aceitarem a violação do corpo ou o diagnóstico de morte encefálica como o fim da vida.

A maioria do 1,3 bilhão muçulmanos considera a integridade do corpo como condição para o acesso à vida eterna, assim o número de transplantes é pequeno nessa comunidade. Entretanto, o Conselho Muçulmano Britânico apoia a doação, dando prioridade ao mérito do ato de salvar vidas. Os mais de 1 bilhão de seguidores do hinduísmo atribuem mérito espiritual à doação de órgãos, mas ainda contam com pequeno número de transplantes, dado o incipiente desenvolvimento dessa atividade nas suas regiões. O xintoísmo, predominante no Japão, e o confucionismo, na China e na Coreia, são crenças que preconizam o sepultamento do corpo inviolado e, embora apresentem legislações que normatizam a doação, número reduzido de transplantes é realizado nesses países. Os mesmos conflitos existem para os seguidores do budismo.

Entre todas as religiões e crenças, foi a Igreja Católica que mais categoricamente acatou o diagnóstico de morte encefálica como fim da vida e reconheceu o mérito do ato de doar órgãos. O papa São João Paulo II, na encíclica Evangelium Vitae, de 1995, estabeleceu que entre os atos de heroísmo cotidiano “merece particular apreço a doação de órgãos feita, segundo formas eticamente aceitável, para oferecer uma possibilidade de saúde e até de vida a doente por vezes sem esperança”. Em pronunciamento ulterior, durante o Congresso Internacional de Transplantes, em 2000, em Roma, afirmou que “a morte da pessoa é um evento único, que consiste na total desintegração do complexo unitário que a pessoa é em si mesma, como consequência da separarão do princípio vital, ou da alma, da realidade corporal da pessoa”. E reconheceu “a constatação, segundo parâmetros bem determinados e em geral compartilhados pela comunidade científica internacional, da cessação total e irreversível de qualquer atividade encefálica (cérebro, cerebelo e tronco encefálico) como sinal da perda da capacidade de integração do organismo individual como tal”.

É legítimo entender que, sendo a doação de órgãos post mortem fruto de forte espiritualidade, num momento de perda e sofrimento familiar, muitas vezes inesperado, a dimensão do desprendimento e solidariedade justifica sua inclusão entre as “obras de misericórdia”. Definida nos primórdios do cristianismo como a virtude de ter compaixão e aliviar o desconforto do semelhante, a misericórdia é reconhecida pela Igreja Católica como ações que fortalecem a espiritualidade, expressa em sete obras corporais: 1) dar de comer, 2) dar de beber, 3) vestir os nus, 4) visitar os doentes, 5) visitar os presos, 6) acolher os peregrinos e 7) enterrar os mortos. Estas são listadas em paralelo com sete obras de misericórdia espirituais: 1) dar bom conselho, 2) corrigir os que erram, 3) ensinar os ignorantes, 4) suportar com paciência as fraquezas do próximo, 5) consolar os aflitos; 6) perdoar os que nos ofenderam e 7) rezar pelos vivos e pelos mortos. Para enfatizar a importância espiritual da prática sistemática desses atos nos nossos dias o papa Francisco proclamou 2016 o ano do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, incluído entre as ações que celebraram os 50 anos do Concílio Ecumênico Vaticano II.

A inclusão da doação de órgãos entre as “obras de misericórdia” atenderia a uma necessidade contemporânea em harmonia com as escrituras desse concílio, cuja essência foi abrir a Igreja para a modernidade. O papa Bento XVI em 2008 pode ter antecipado essa proposta ao definir a doação como “um ato de amor e uma testemunha genuína de caridade que se estende além da morte”. Assim a misericórdia e o mérito de salvar vidas poderiam ser prioridades na controversa interpretação de parte das escrituras religiosas.”

Artigo original publicado em http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,doacao-de-orgaos-como-obra-de-misericordia,70001658552 .

Religião e Doação de Órgãos

Uma das grandes dúvidas quando fala-se em doação de órgãos e tecidos é o posicionamento das religiões diante deste assunto. Todas as religiões compreendem que a doação de órgãos é um ato de caridade e de amor ao próximo, já que traz grandes benefícios para o receptor, sendo a iniciativa de doar uma decisão particular do indivíduo e da família.

Algumas religiões posicionam-se contra a doação para ‘bancos de órgãos’, pois acreditam que o órgão doado deve ser transplantado imediatamente, como é o caso do judaísmo. Já os Testemunhas de Jeová se baseiam em passagens bíblicas para não aceitar transfusões de sangue (https://goo.gl/54o0yR). Porém, a doação e o transplante de órgãos é aceito, com a condição de que não exista contato entre o sangue do doador e o receptor.

A verdade é que nenhuma religião proíbe a doação de órgãos, embora algumas tenham as suas peculiaridades. Mesmo diante deste quadro, algumas famílias ainda recusam a doação dos órgãos de seu familiar alegando motivos religiosos, demonstrando um desconhecimento da própria religião e do impacto social da doação na vida de outras pessoas.

Qualidade de Vida pós-transplante

Apesar de terem apenas um rim funcionante, o transplantado poderá levar uma vida normal, pois este rim fara o trabalho de dois, viabilizando o retorno as suas atividades pessoais e profissionais.

A independência da dialise esta entre as maiores vantagens do transplante renal, pois por melhor que seja, ela não substitui plenamente o rim, ao contrário do rim transplantado. Além disso, o paciente em diálise perde sua liberdade, perdendo muitas vezes sua identidade e seu convívio social por depender da maquina dialítica, o que é completamente resolvido após um transplante bem sucedido.
Inicialmente, o transplantado será submetido a uma serie de restrições que serão reduzidas a cada mês, o que possibilitará uma dieta com poucas limitações e também a ingestão de líquidos de forma mais liberal.

Porém, apesar de toda autonomia adquirida, há necessidade do uso de medicamentos para o resto da vida, pois o transplante renal não e sinônimo de cura da Doença Renal Crônica, é apenas uma modalidade de tratamento.

Morte Encefálica

A morte encefálica (ME) é a definição legal da morte. Esse tópico merece uma atenção especial, uma vez que ainda causa muitas dúvidas na população. O fato de haver uma constatação de morte mesmo com o paciente possuindo função cardíaca preservada e respirando com ajuda de ventilação mecânica provoca em muitos casos uma falha de compreensão de que o ente querido realmente faleceu. Entretanto, a equipe de saúde exerce inúmeros testes minuciosos que irão procurar qualquer vestígio de função do tronco encefálico e, caso não seja encontrado nenhum, o diagnóstico de ME está definido.

Ela deve ser entendida como a “morte baseada na ausência de todas as funções neurológicas”, ou seja, se trata da perda completa e irreversível das funções cerebrais. A ME pode ter como causa uma lesão grave ao encéfalo, como pode ocorrer em casos de acidentes vasculares encefálicos(AVE), que faz com que o órgão não seja nutrido de forma adequada e acabe morrendo.

Apesar de ser um assunto delicado, o conhecimento a respeito da ME é de suma importância, de modo que a família que perca seu ente querido de tal forma possua todas as informações necessárias para a tomada de decisões a respeito de uma possível doação de órgãos, o que é extremamente difícil.

Você conhece a lei dos transplantes?

A Política de Transplantes de Órgãos e Tecidos no Brasil tem como diretrizes a gratuidade da doação, o repúdio ao comércio de órgãos, o benefício em relação ao receptor e o não prejuízo em relação ao doador vivo. Sua regulamentação se dá através da lei federal Nº 9434/97 que versa sobre a remoção de órgãos, tecidos e partes do corpo humano para fins de transplante e tratamento, sobre os critérios para transplante intervivos e sobre as sanções penais e administrativas pelo não cumprimento da mesma. Também conhecida como Lei dos Transplantes é ela a responsável por garantir esses procedimentos aos pacientes que necessitam e por regular toda a rede assistencial em conformidade com as normativas que ditam o funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS).

Conheça esta lei através do link: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9434.htm